O cão-guia é um cachorro treinado para ajudar na locomoção de pessoas cegas ou com baixa visão. Com o auxílio do cão, a pessoa é capaz de se movimentar com mais liberdade e segurança, em especial em áreas urbanas, onde há, naturalmente, um maior número de obstáculos.
Esse animal de apoio é mais do que um facilitador da inclusão, mas também um símbolo de independência. Ainda assim, no Brasil, o número de cães-guia é considerado baixo. De acordo com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, há apenas 200 em todo o país, para mais de 7 milhões de deficientes visuais.
Em outras palavras, é possível dizer que a população brasileira, de forma geral, está pouco familiarizada com o cão-guia – apesar de sua importância. Por isso, é essencial compreender como esses cães são fundamentais para um mundo mais acessível e como a sociedade pode contribuir para garantir sua plena atuação no dia a dia.
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O que é um cão-guia?
Esses cachorros são adestrados e tornam-se capazes de orientar pessoas. Eles poderão desviar de obstáculos, indicar o caminho correto, parar quando estiver diante de degraus ou faixas de pedestres e até mesmo evitar situações perigosas, como buracos ou tráfego intenso, por exemplo.
Como o processo de treinamento é complexo, há prefêrencia por algumas raças de cães específicas, levando em conta, principalmente, a sua inteligência e capacidade de aprendizagem. De acordo com a cartilha do Insituto Paradigma, o Labrador Retriever é a raça mais comumente usada, mas todo cão de pastoreio poderá se tornar um bom cão-guia.
O treinamento começa logo nos primeiros meses de vida. Primeiro, o cão passa por uma fase de socialização, em que é exposto a diferentes ambientes, cheiros e pessoas. Logo depois, é treinado por profissionais especializados para aprender comandos específicos, até ser pareado com uma pessoa com deficiência visual e passar por um período de adaptação e treinamento conjunto.

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O que um cão guia deve saber?
Na cartilha do Instituto Paradigma, constam algumas das habilidades indispensáveis ao cão-guia. Entre elas, pode-se citar, por exemplo:
- Permanecer na rota, sem se deixar distrair pelo ambiente ao redor ou outros estímulos, como a presença de outros animais.
- Sempre para no meio-fio, aguardando a ordem para prosseguir.
- Conseguir reconhecer e evitar potenciais obstruções que apareçam no caminho do acompanhante.
- Guiar o acompanhante aos botões do elevador sempre que preciso for.
- Identificar e seguir os variados comandos verbais.
Ainda devemos estar atentos ao fato do cão-guia não ser, de forma alguma, um animal doméstico comum. Mesmo que sejam devidamente treinados, interagir com um desses animais enquanto estão “atuando” poderá desconcentrar o cachorro e atrapalhar no exercício de sua função.
O mais recomendado é sempre dirigir a palavra à pessoa com deficiência visual, e não ao animal. Acariciar, tentar brincar ou oferecer comida ao cachorro enquanto ele estiver guiando é desaconselhável. Ele precisa manter o foco total em sua tarefa.

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Como ter um cão-guia?
Esse pode se enquadrar como uma dúvida comum. Afinal de contas, como uma pessoa com deficiência visual pode conseguir um cão-guia? O processo é um pouco demorado e bastante caro, o que ajuda a explicar o baixíssimo número de cães-guia em atividade no Brasil.
Como já pontuado, esses cachorros precisam passar por um treinamento intenso desde quando são filhotes. De acordo com o Instituto Magnus, o “ciclo completo” de treinamento e socialização podia chegar a custar até R$ 80 mil em 2018.
Existem algumas instituições no Brasil que fazem doações de cães-guia. Para ter um, é preciso fazer um cadastro e aguardar em uma fila de espera que poderá ser longa. Um desses institutos é o H. Keller, de Santa Catarina. Em sua página, constam informações importantes para quem deseja ter um cão-guia:
- É preciso, obrigatoriamente, ser uma pessoa com deficiência visual.
- Você deve ter uma casa segura, com muros e portas, afim de evitar problemas com o cachorro.
- É necessário ter condição de arcar com os gastos mensais do animal (de acordo com o site, cerca de R$ 500), bem como outras despesas (vacinação, remédios e visitas ao veterinário).
- Você deve fazer o curso de Orientação e Mobilidade, para que entenda como o cão se comporta e como poderão funcionar em dupla.
- É preciso que você goste de cães e esteja disposto a ter todos os cuidados que esse animal pede para viver confortável e feliz.