A chegada de um filho transforma completamente a rotina de qualquer família. Nesse contexto, espaços destinados à amamentação desempenham um papel importante no acolhimento de mães e bebês em ambientes públicos e privados. No entanto, existe uma questão que ainda recebe pouca atenção: esses locais são realmente acessíveis para mães com deficiência?
Salas de amamentação estão presentes em shoppings, aeroportos, empresas, hospitais e centros comerciais. Em teoria, elas deveriam oferecer conforto, privacidade e segurança. Na prática, porém, muitas dessas estruturas ainda ignoram diferentes necessidades de mobilidade e autonomia. Mulheres com deficiência também amamentam e cuidam de seus filhos. Sendo assim, precisam ter condições adequadas para exercer esse cuidado com dignidade.

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A acessibilidade começa no acesso ao espaço
Antes mesmo de pensar no interior da sala, é preciso garantir que a mãe consiga chegar até ela sem obstáculos. Esse é um ponto central de um local inclusivo. Corredores estreitos, portas pesadas, ausência de elevadores e sinalização inadequada podem dificultar o deslocamento de mulheres com mobilidade reduzida ou deficiência visual.
Em locais de grande circulação, como aeroportos e shopping centers, a falta de orientação clara também pode gerar insegurança. Muitas mães precisam se deslocar carregando bolsas, carrinhos ou equipamentos de apoio, o que torna a acessibilidade ainda mais essencial.
Dessa forma, alguns elementos básicos fazem muita diferença:
- Portas automáticas ou leves.
- Corredores amplos para circulação.
- Rotas acessíveis e sinalizadas.
- Piso regular e antiderrapante.
- Indicação clara da localização da sala.
Mobiliário da sala de amamentação
Outro aspecto central é o mobiliário utilizado nesses ambientes. Muitas salas de amamentação contam apenas com poltronas muito baixas, sofás excessivamente macios ou cadeiras sem apoio adequado, dificultando o seu uso de maneira correta.
Para mulheres em cadeiras de rodas, por exemplo, o deslocamento para determinados assentos pode ser desconfortável ou até mesmo arriscado. Nesse contexto, é fundamental que o ambiente ofereça opções acessíveis e adaptáveis, como:
- Assentos com altura adequada.
- Apoios laterais e para braços.
- Espaço para aproximação frontal de cadeira de rodas.
- Área livre para circulação e manobra.
- Superfícies firmes e estáveis.
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Apoio para transferência e autonomia

Um ponto frequentemente negligenciado é justamente a necessidade de apoio para transferência. Mulheres com deficiência física podem precisar de auxílio para mudar da cadeira de rodas para outro assento, segurar o bebê em determinadas posições ou organizar objetos pessoais dentro da sala.
Quando o ambiente não oferece estrutura adequada, tarefas simples passam a depender da ajuda de terceiros. Isso compromete diretamente a autonomia e a privacidade da mãe.
A acessibilidade, nesse caso, está diretamente relacionada ao direito de exercer a maternidade com independência. Pequenas adaptações estruturais podem reduzir riscos de queda, desconforto físico e constrangimentos desnecessários.
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Sinalização tátil e orientação acessível
A comunicação dentro desses espaços também merece atenção. Mulheres cegas ou com baixa visão precisam conseguir localizar e utilizar a sala de forma segura e autônoma.
Por isso, recursos de acessibilidade comunicacional são fundamentais. Isso inclui:
- Sinalização tátil nas portas.
- Identificação em braile.
- Contraste visual adequado.
- Orientações sonoras ou digitais acessíveis.
- Informações objetivas e bem posicionadas.
A maternidade também precisa ser inclusiva
Historicamente, mulheres com deficiência enfrentam diversos estigmas relacionados à maternidade. Muitas vezes, ainda são tratadas como incapazes de cuidar dos próprios filhos ou invisibilizadas em políticas públicas voltadas ao cuidado materno-infantil.
Isso quer dizer, em outras palavras, que garantir salas de amamentação acessíveis é também reconhecer o direito dessas mulheres à maternidade plena. Inclusão não deve existir apenas em discursos institucionais ou campanhas publicitárias. Ela precisa estar presente nos espaços cotidianos.
O que diz a legislação
A legislação brasileira estabelece que espaços de uso coletivo devem garantir acessibilidade e condições adequadas de utilização para pessoas com deficiência. A Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência e normas técnicas da ABNT reforçam a necessidade de ambientes acessíveis, seguros e funcionais.