Lollapalooza 2026 expõe falhas de acessibilidade em grandes eventos
Grandes festivais de música costumam se apresentar como espaços de celebração, diversidade e inclusão. Eventos como o Lollapalooza Brasil, por exemplo, reúnem milhares de pessoas de diferentes perfis em um momento de festa. No entanto, quando falamos em acessibilidade, a realidade nem sempre acompanha esse discurso.
Um relato recente envolvendo o fã-clube da cantora Chappell Roan expôs uma situação preocupante durante a edição de 2026 do festival. Segundo o depoimento, uma fã com mobilidade reduzida em decorrência de uma doença rara passou mal após permanecer longos períodos em pé.
O episódio não é apenas um caso isolado. Ele evidencia uma falha estrutural recorrente em eventos de grande porte: a acessibilidade ainda é tratada como um detalhe, e não como parte central do planejamento. Isso resulta em situações como essa relatada.
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Relato de quem estava presente no show
O relato foi compartilhado pela página de fãs da cantora americana Chappell Roan, diretamente no X (antigo Twitter). Conforme a publicação, uma das administradoras do portal de fãs da artista tentou acessar a área destinada a pessoas com deficiência (PCD), e descobriu que o espaço havia sido fechado.
Mesmo em condição física debilitada, não recebeu o suporte necessário da equipe de segurança e enfrentou cerca de duas horas de espera por atendimento médico. Ainda conforme consta na nota divulgada, “não foi oferecido nenhum tipo de transporte interno”.

A acessibilidade que existe só no papel
Em muitos festivais, há uma tendência de cumprir requisitos mínimos de acessibilidade apenas para atender exigências legais. Áreas PCD são delimitadas, rampas são instaladas e banheiros adaptados são disponibilizados. No entanto, será que essas estruturas funcionam de fato durante o evento?
No caso relatado, aliás, a existência de um espaço acessível não foi suficiente. Isso porque ele simplesmente não estava disponível quando foi necessário. A acessibilidade, portanto, não pode ser apenas estrutural; ela precisa ser operacional.
Em outras palavras, não basta criar áreas reservadas. É fundamental garantir que:
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Esses espaços permaneçam abertos e funcionais durante todo o evento
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Haja equipes treinadas para lidar com situações de emergência
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O atendimento seja rápido, humano e eficiente
O problema da permanência: ninguém deveria “resistir” ao evento
Outro ponto central levantado pelo caso é o tempo de permanência. Festivais são eventos longos, que exigem deslocamento, espera e permanência prolongada em pé. Para pessoas com deficiência ou condições de saúde específicas, isso pode representar um risco real.
A ausência de áreas adequadas para descanso ou a limitação de acesso a espaços acessíveis pode transformar uma experiência que deveria ser divertida em um cenário de desgaste físico extremo. No caso citado, por exemplo, a impossibilidade de se sentar agravou o estado de saúde da espectadora, evidenciando uma falha importante de planejamento.
A acessibilidade em eventos precisa considerar não apenas o acesso, mas também a permanência segura e confortável. Além das áreas de descanso acessíveis e distribuídas pelo espaço, também é fundamental haver rotas acessíveis entre palcos, banheiros e pontos de apoio.
Atendimento e preparo das equipes: o fator humano importa
Se a estrutura física falha, o fator humano deveria compensar. No entanto, no caso narrado, a falta de preparo da equipe agravou ainda mais a situação. A negativa de ajuda por parte da segurança e a demora no atendimento médico indicam um problema recorrente em eventos desse tipo: equipes não treinadas para lidar com acessibilidade.
A inclusão real e aplicável depende, entre outras coisas, de:
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Treinamento contínuo de equipes de segurança e atendimento
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Protocolos claros para situações de emergência envolvendo pessoas com deficiência
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Abordagem empática e orientada ao cuidado
Festivais acessíveis: o que precisa mudar?
O caso exposto no Lollapalooza Brasil serve como alerta para todo o setor de eventos. A acessibilidade precisa deixar de ser um checklist e passar a ser um eixo central do planejamento. É preciso que haja um monitoramento constante das áreas acessíveis e integração entre equipes de segurança, produção e saúde, bem como uma comunicação clara sobre onde e como acessar recursos de acessibilidade.
Eventos culturais têm um papel social importante. Garantir acessibilidade em festivais é, antes de mais nada, uma questão de cidadania e cumprimento de leis. Devemos, como sociedade, assegurar que todas as pessoas possam viver a experiência de forma plena e autônoma.